sábado, agosto 01, 2015

Ter passado o ano no Minnesota devolveu-me a parca condição de voltar a ser eu-na-era-pré-californiana: branca-mas-tão-branca-que-provoco-encadeamento. No entanto, fico feliz que só passado quatro dias na cidade dos anjos, a minha a minha cor californiana voltou sem dificuldade. 

sábado, julho 18, 2015

Novo conceito

"Tornadic thunderstorm". Sempre a aumentar a literacia de desastres naturais, nas terras do tio Sam. 

sexta-feira, julho 17, 2015

Quando estou pela 2a vez desterrada na cave abrigo por causa de mais um alerta de tornado (o 2o em cinco dias), a horas tardias, sozinha, a destilar com a humidade, a pensar nos sobrinhos que ainda não conheço, e mais as saudades gustativas e as outras de outro tipo de quem não vai a casa-mãe há já dois anos, e ainda aquela parte de mim que não vingou e de que não falo, só posso mesmo dizer, que grande merda de Verão estou a ter.

Mas assim que saia da cave, voltamos à casca de durona, e está tudo bem. 

domingo, julho 12, 2015

Constatações facebookianas

Partilhamos todos as mesmas coisas, mas pouco ou nada falamos uns com os outros. Estarei, talvez, em contagem decrescente para o fechar. 

segunda-feira, junho 15, 2015

Ter um escritório que é bafejado com a alegria da proximidade de dois parques infantis que ecoam pela janela dentro, dá-me cabo dos décibeis (mas porquê gritam tanto as adoráveis criancinhas?), aumenta-me as dores de cabeça, torna a escrita ainda mais penosa, portanto, é toda uma tortura que quase que me faz sentir saudades do Janeiro Minnesotiano.

sexta-feira, junho 12, 2015


"I will never be free
If I'm not free now" 

Nick Cave, esse poeta sempre certeiro.

quinta-feira, junho 11, 2015

Portugal dos pequeninos

Por 10 milhões de euros privatizou-se a TAP. O quer quer dizer que cada português poderia ter dado um 1 euro pela TAP. O governo bate palmas. Os compradores também e com razão, já antevêem 354 milhões de euros de lucro com o achado que encontraram na Feira da Ladra. O governo continua a bater palmas, mas alguém que me explique como é que estratégia de privatizar tudo, a preço de saldo, aumenta as finanças públicas.


terça-feira, abril 28, 2015



Ainda há poucos dias mencionava como não reconhecia como uma das bloggers dos blogs do costume, foi mais uma a publicitar uma campanha tolinha no 25 de Abril, até que ontem, deu de si e voltou à sua velha forma, a propósito disto.

A rainha dos blogues também teve que se juntar à discussão, mas toca de cascar na amiga, afirmando que outra coisa não seria de esperar, porque a sua amiga é uma indignada, logo não lhe dêem crédito. Em seguida faz um enxovalhado de futilidades a dizer como está farta de falsos moralismos, sempre se usou mulheres magras em publicidade, qual é novidade, acha ela, não há motivo para tanta indignação, e porque é que se perde tempo com isto. Faz isto num enorme testamento moralista e indignado sobre as tais indignadas moralistas que não acharam graça à publicidade. Daqui passa para o binário gordas vs. magras, criando o manifesto obesofóbico: é se gordo porque se quer, e se não se sentem bem, não se queixem, não usem biquíni.

Reduzir a onda de protestos a esta publicidade infeliz ao facto de ser banal, é não estar nem aí para a eterna objectificação do corpo da mulher, nem para o facto de sermos constantemente bombardeadas como estereótipos de ideais de beleza feminina. Não é que me espante que seja essa a sua atitude, quem conhece o seu blogue, sabe o que é, e há muito que a rainha dos blogues mostra uma certa condescendência para com o feminismo, e sabemos como é adepta de ser e vender exactamente essa imagem de mulher magra, loira, de sorriso na cara e de bem com a vida. Como se ser mulher fosse um anúncio de pensos higiénicos ou de iogurtes magros. Ultimamente, adicionou a esse tipo de mulher, essa coisa de viver saudável. "Comer sem asneiras", e claro correr, correr, correr. Eu acho que cada um faz o que quer para se sentir bem, mas a filosofia de vida de uns não quer dizer que seja a certa, e a única moral para o universo inteiro.

O que me incomoda nesta história é a leviandade com que o assunto é tratado, e como acaba por recair numa atitude de repúdio aos gordos do planeta. Acho sobretudo irónico que resuma a discussão entre magros (=saudáveis) e entre gordos (=desleixados e não saudáveis), mas para quem tanto preza a suposta vida saudável, faltou então que nos explicasse como é que comprimidos podem ser uma forma saudável de perder peso. A filosofia de vida saudável da rainha dos blogues lusos está assim um pouco como o Dr. Oz e a medicina.

Por fim, também não deu importância a como a marca em questão resolveu lidar com os comentários, respondendo quase sempre de forma ofensiva e sexista. Já empresas como a Modcloth, que é um site de venda de roupa online, aqui nos Estados Unidos, têm uma visão estratégica completamente diferente e bem mais inclusiva. Tem modelos de todos os tamanhos e feitios nas suas fotos, incluindo biquínis, e tem como política de venda, em que os clientes, quando fazem reviews, boas ou más, possam submeter as suas próprias fotos com a roupa que compraram. Devo dizer, que a decisão de comprar determinados trapinhos  é muito mais fácil quando os vemos em corpos de pessoas reais, e com comentários que percebemos bem. ("Adoro o vestido, disfarça a barriga!"; "Não é o ideal para quem tem peito grande, devolvi"). E há pelo menos uns quatro anos, que vejo a Rye, submeter as suas fotos com vestidos sem nunca terem sido retiradas (ou enxovalhadas) do site. E não tenho dúvidas nenhumas, que é por isso que a Modcloth tem sucesso, porque dirige o seu marketing para corpos reais. Tomara termos muitos mais exemplos como este, mas uma coisa é certa enquanto nos continuarmos a calar sobre esta banalidade de campanhas parvas, pouco ou nada muda.

E  neste caso, já deu resultado. Os cartazes do Beach Body acabaram por ser retirados do metro de Londres.


sexta-feira, abril 24, 2015

Sempre, sempre!


Ilustração de Cristina Sampaio

quinta-feira, abril 23, 2015

About Grey's

Choradeira. Pegada. Jogo sujo usar a mesma músiquinha cantada por outros, que claro que os fãs dedicados reconhecem do final da season 2. E eu que achava possível já não me impressionar com esta série. 
Haverá comentador mais ignóbil que o pateta dos óculos azuis que escreve no Público? De crónica, em crónica tem sempre a proeza de aperfeiçoar a sua imbecilidade. Destila tanto veneno que devia ser patrocinado pela Raid.

Abril é Abril, não o estraguem, não lhe esvaziem o sentido

Não se pode esperar muito dos blogues pink, nem levá-los a sério, mas o título totó de uma campanha publicitária "Abril sem pêlos" é de facto infeliz e tolinho. É mau demais.

(e que rainha dos blogues o faça não me surpreende, vive da publicidade, mas a sua amiga inconformada de que pink tinha pouco?!)

quarta-feira, abril 08, 2015


Cinco dias sem café é obra. E é sempre pelas 5 da tarde, que mais custa abrir as pestanas.

quinta-feira, março 26, 2015

Um pouco de tudo

Washington DC foi uma surpresa. Acabei por passar  grande parte da conferência em reclusão, cheia de gripe, o que não foi necessariamente mau. Foi só pena que o pouco que vi foi mais a atirar para o mau (sim, meninos de Standford, isto é para vocês). No final da semana já estava a sentir-me melhor, e fomos dar umas voltas. O tempo estava verdadeiramente primaveril, sol e quente, o que soube a prenda de anos antecipada. DC é a terra do fato e gravata, ou não fosse o centro político do mundo (Banco Mundial, FMI, e outras grandes grandes organizações mundiais, mais a Casa Branca, o Tesouro, o Pentágono, o Senado, o Tribunal Federal, etc., etc.) A minha ideia de Washington era esta da concentração de poder e da riqueza, de malta empinada engravatada, e da arquitectura falsa romana. Em parte é mesmo assim, mas felizmente é muito mais que isso. A arquitectura surpreendeu, casinhas baixas e coloridas, árvores e parques, e ter toda uma oferta multicultural de que sinto imensa falta. Não é que Minneapolis seja completamente uma bolha desinteressante, mas o leque de escolhas é de uma escala bastante mais pequena, o que ao fim de seis anos de Los Angeles, faz-me sentir um bocado claustrofóbica. Isso e estar mergulhada num inverno profundo há já quase seis meses, onde o ritmo de tudo é bastante lento.

Depois de DC rumámos para NY. Assim que começamos a descer as escadas do metro imundo, e no burburinho de mudar de linha, e todo o típico caos urbano, tenho aquela sensação que sempre tenho quando lá ponho os pés, de como prefiro mil vezes a costa oeste do que a costa este do Estados Unidos. É quase uma reacção física. É engraçado, antes sequer de equacionar vir para os Estados Unidos se me dessem a escolher qual cidade que teria que passar a viver, claro que tinha imediatamente pensado em NY. Los Angeles não fazia parte das minhas escolhas, precisamente porque as duas cidades estão tão fortemente vincadas na cultura popular que achamos que sabemos como realmente são. No ano em que aterrei em Los Angeles achei que efectivamente estava noutro planeta, e que rapidamente teria que fugir. Demorou bastante tempo a descobrir que era muito mais do que aquilo que se considera "tipicamente LA". Não é fácil porque a própria cidade vende e alimenta a própria ideia que se é feliz com a superficialidade hollywoodesca e dos wanna be something, e os turistas caem que nem patinhos nessa construção imaginária de cidade. E por turistas não estou só a  referir-me aos turistas mesmos, mas a todos aqueles que caem de paraquedas na cidade à procura de alguma coisa, sobretudos os alpinistas sociais que efectivamente acreditam que fazer parte da superficialidade é giro, dá sentido à sua existência, mas que ficam perturbados (como se fosse contagioso) quando são brutalmente confrontados com o nível extremo de desigualdade, e por favor, que ninguém ouse apontar-lhes que os níveis de desigualdade da cidade quase sempre passam pela cor da pele, e o tipo de visto que se tem ou não se tem. No fundo LA é uma cidade extremamente desigual mas ao mesmo tempo tanto é adaptável para os seres superficiais que querem cair na narrativa  do "So LA", como é para os intelectuais que de imediato declaram, "I hate LA". Conhecer verdadeiramente uma cidade leva tempo, mas dado a escala e a dimensão angelina, LA leva bastante tempo. Mas se atitude é continuar a acreditar na narrativa da superficialidade oficial, bom, nunca irão saber o que pode existir para além dessa bolha. Escolhas, I guess.

Voltando a NY. Estava frio, ventoso, e dias feios, curiosamente mais do que em Minneapolis. Aliás, na semana que lá estivemos, por aqui  Minneapolis, a neve derreteu por completo, as temperaturas subiram significativamente e num domingo ousou chegar aos 20 graus. Às vezes, acho que saber como está o tempo na cidade onde não me encontro, não ajuda a minha sanidade mental...

Em NY não tinha grandes planos. Eu só queria passear pelo parque, ir à Strand e comer bem, sem pressas, sem stress. Queria desanuviar da prisão de não estar fechada a escrever por uns dias. A minha irmã tinha grandes planos, ir ao MOMA e ficar na fila umas três horas para ver a exposição da Bjork. Eu não estava muito nessa, acho que a minha irmã ficou algo incrédula com o meu desinteresse nessa missão. Percebo, afinal a pobre assistiu ao fim da minha adolescência a delirar com Bjork. (Mas também me ofereceu o catálogo espectacular da exposição, que prefiro mil vezes folhear do que esperar na fila ao frio). Ela também tinha a missão de mostrar NY ao namorado, afinal ela também queria partilhar a cidade dela. E estão numa fase tão apaixonada das suas vidas, que foi bonito ver.

Um dia decidi aventurar-me e fui a Newark. Queria explorar a tal maior comunidade portuguesa da diáspora. Uma experiência, mas devo dizer que foi das coisas que mais gostei de fazer de todas as vezes que estive em NY, pois fiz algo fora do baralho turístico do costume. Em Newark a missão era ir às compras. Já tinha explicado, estou com bastantes saudades gustativas, e em cada cidade americana que moro, nunca há um bairro de portugueses, nem uma mercearia para matar estas gulas. Em Minneapolis, acho que sou mesmo a única portuguesa da cidade.
O primeiro café que entrei em Newark, senti-me em casa. No mau e bom sentido. A carapaça da desconfiança veio logo ao de cima, quando sou atendida por uma senhora bastante antipática, igualmente desconfiada,  a perguntar o que que é eu quero. Lá pedi um pastel de nata e um Compal de pêra. A conversa mudou imediatamente para inglês quando o meu Richard lhe deu o cartão para pagar. Ups, fomos descobertos, não sabe o código, do "pagamentos com cartão só acima de blabla". Não havia dúvidas, território luso sim senhora.
Próxima paragem: pão decente. Desta vez somos atendidos por uma velhinha super simpática, que me tratava por menina, e ainda me fez um desconto nos pasteis para levar.
Deambulámos por mais uns mercados e supermercados, ouve-se música pimba a tocar em lojas de bibelots, com Nossas Senhoras e rádios a pilhas. Há também lojas de penhores, mercado de peixe, drogarias, joalherias, um Montepio, um BPI abandonado, uma casa do Benfica, pois claro, uma escola Luís de Camões, ainda um Liceu com um nome de um escritor que entretanto esqueci, e casas enfeitadas com azulejos com a Nossa Senhora e a bandeira nacional. Não se ouve inglês na rua, só português de Portugal e do Brasil, e espanhol. Mesmo no comércio, o cliente fala espanhol, e eles respondem em português, e lá se entendem. Um bocado como eu e o meu orientador. Também há cervejarias e marisqueiras, mas bastante inflacionadas. No fim, acabei por comprar pouca coisa, uns pacotes de pudim boca-doce, umas sombrinhas Regina, pão e uns croquetes para o jantar. Apanhámos o comboio, comemos as sobrinhas no caminho e voltámos à cidade.

No dia seguinte fazia anos. O Richard deu-me o libro da Kim Gordon, "A girl in a band", que já foi devidamente lido e saboreado. É ainda melhor do que eu pensava, e curiosamente fala de LA, e de NY, e da diferença entre as duas cidades, e como é viver em sítios tão diferentes. Assentou mesmo bem ler este livro durante esta viagem. O resto do dia foi lento e bom. Waffles com morangos, uma passeata pelo Met, happy hour com vinho manhoso, jantar com amigos que não via há muito, num maravilhoso restaurante Cubano. Na manhã seguinte almoço com a mana e o namorado, mais a futura sobrinha na barriga. Mais uma bela refeição, abraços e despedidas, e a sensação que da próxima que nos virmos vou ter a minha sobrinha nos braços.

Voltámos a Minneapolis. Ainda estava meio primaveril quando chegámos, mas na segunda voltou a nevar e quase que chorei de raiva. Mas já me passou. Nevou, é certo, mas já não temos temperaturas insuportáveis, temos 1 e 3 graus. A neve quase que desapareceu, ontem ouvi patos e neste momento tenho pássaros na janela. Talvez seja mesmo sinal que a primavera há de chegar. Ontem também fomos conhecer o bebé do nosso amigo Maurice, que nasceu há poucos dias. Também me sinto mais esperta nas páginas que escrevo, mais inspirada, a pensar que está mais próximo do fim do que alguma vez esteve. Às vezes, a única coisa que precisamos é de uns dias fora de nós para respirar melhor.

domingo, março 22, 2015

E viva a Primavera

sexta-feira, março 13, 2015

terça-feira, março 10, 2015