As mulheres são insuportáveis nas compras, sobretudo quando há saldos. Ficam loucas, possuídas, remexem tudo, fazem caras estranhas. O pior é quando levam os namorados atrás.
Os grande sabedores nem sequer as acompanham na odisseia de encontrar o melhor trapinho.
Os compreensivos, mas-que-de-estúpidos-têm-pouco, ficam à porta da loja, esperando pacientemente.
Os mais queridinhos, são os grandes tolos, porque lá andam eles arrastados pelas lojas, atrás delas, com os sacos de compras, homens estátutas no caminho (que atrapalham as raparigas emancipadas que não precisam do puppy atrás, mas precisam de caminho livre, pois podem ser pequenas e baixinhas, e que apesar da excelente destreza manual e olho clínico para se desenvecilhar rapidamente numa loja em saldos, não gostam de obstáculos no caminho, a taparem "aquela prateleira").
Esses têm um ar infeliz e caladinho, tentam meditar e fazem a reza interior do "- Por favor, despacha-te".
Desta fasquia que entra nas lojas, há uma pequena minoria que se insere na categoria de heroí ou haraquiri, pois atreve-se a acompanhar a namorada até ao corredor dos provadores para dizer "- Sim, fica-te bem", com o mesmo ar infeliz e controlado, porque tudo o que possa dizer poderá ser perigoso. Porque a seguir ao "- Sim, fica-te bem" vem a pergunta da confirmação: "- A sério que me fica bem?!'" para o "- Mesmo?!", e depois passa-se à complexificação do "- Mas gostas mais deste ou daquele?!" e "Qual é que me fica melhor?" e aqui o mais-que-tudo está em sérios apuros, porque se diz "Fica-te bem, já disse" ou o fatal "- Fica fixe. Vá, despacha-te. Vamos embora.", o caldo entorna-se. Elas atiram as roupas para o chão, zangam-se e dizem "- És sempre a mesma coisa!".
De facto, o amor é uma coisa muita estranha. E muitas vezes, é uma coisa muito pouco saudável.
sábado, janeiro 20, 2007
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