quarta-feira, janeiro 31, 2007

Fui-me deitar mal disposta, atravessada com coisas que não tenho tido tempo para pensar, mas, de vez em quando, voltam a aparecer. Dormi quatro horas. Fui para a faculdade dar aula. Fui aturar esta parva condescendente, que apesar de usar os mesmos termos e um tom parecido de uma histérica que gritou "oh minha querida, oh querida" num debate do outro dia, fê-lo porque é velha e estúpida. Velha de espírito, de raciocínio, de atitude.
Azar, a professora aqui sou eu. Ainda por cima, tenho aprendido com o mestre Sniper. E quando me diz que não pode avaliar um projecto-escola porque estes têm duração de três anos, e só se pode avaliá-los no final desse período, "porque é como o Governo, professora, no final de quatro anos de governação é que podemos avaliá-lo" escolheu o exemplo errado. E a professora errada.
Pois, aqui "a querida", tem boa memória e recorda-se de cada minutinho que foi interrompida pela lamuriosa a queixar-se da ministra da Educação. Aqui "a querida", sempre foi habituada a retorquir, e ultimamente, aqui "a querida", não tem feito outra coisa que não ter que andar a responder à letra as baboseiras que têm andado a ouvir de outros arrogantes condescendentes.
Aqui "a querida" tem mau feitio se provocada e não é uma pessoa matinal. Sobretudo, aqui "a querida", fica mal disposta quando dorme pouco, não bebe café e cede, no seus momentos de professora fixe e compreensiva, e vai mais cedo para que todos os alunos tenham tempo de apresentar os seus trabalhos e ainda se rever matéria para a frequência, e alguns, como a lamuriosa, dão o ar de sua graça, apenas uma hora e meia depois da aula ter começado. Aqui "a querida" levanta o sobrolho quando a lamuriosa diz que tem que fazer a sua apresentação em word. Aqui "a querida" quando acha que a incompetência não pode ser maior, leva com dois documentos em word que a lamuriosa sacou da internet, que nem se deu ao trabalho de disfarçar. Aqui "a querida" pergunta-lhe, afinal, onde é que está o trabalho. Onde é que está o estudo comparado. Aqui "a querida" deixou de ser querida e deu o seu primeiro chumbo com um zero bem redondo. Aqui "a querida" sentiu a cólera do poder e não deixou de pensar que para além de dar zero, as velhinhas faltas disciplinares poderiam ser perfeitamente aplicadas no ensino superior a alunos deste tipo.

Começo a perceber que as fúrias e dores de cabeça desta semana, que já imaginava que iria ter, pouco têm a ver com os dias de campanha, ainda que não consiga deixar de estabelecer paralelismos.

3 comentários:

Marcos Mesquita disse...

eita minha querida, eu tb vou começar a passar por isso... dar aulas nunca foi fácil! ei, passa la no que mico e ver a chantagem braba do lado esquerdo...
bjo.

Anónimo disse...

Força, amiga! Há-de chegar uma altura (esperemos que seja em breve!) em que não terás de aturar tanto disparate, na faculdade ou em debates! Até lá... abaixo a "queridice", dá-lhes o que el@s merecem!

naked sniper disse...

Piquena,

sempre que tenhas alguma dúvida sobre a melhor forma de ser rude ou maltratar alun@s, estou aqui para discutir ideias.

beijinho,

sniper