segunda-feira, março 05, 2007

Parabéns?

"Hoje o PÚBLICO faz 17 anos de vida. E fá-lo de uma forma simples, mas muito, muito reveladora: foi procurar saber o que é ter 17 anos hoje. Nada melhor que ler a reportagem de Kathleen Gomes no P2 para perceber que o mundo mudou neste tão curto espaço de tempo e como mudou dentro das nossas casas, muitas vezes sem que de tal nos apercebamos. (...)
Eu tinha 17 anos 17 dias antes , quase ao minuto, do momento em que os Emissores Associados de Lisboa puseram no ar a primeira senha destinada a pôr em marcha o golpe militar do 25 de Abril, a canção do E depois do Adeus (que começava assim: Quis saber quem sou/ O que faço aqui..."

- José Manuel Fernandes no Editorial do Público de hoje.

O Público faz dezassete anos. Opta por assinalar a data com este editorial bacoco de José Manuel Fernandes, armado em papá, a explicar como era ter dezassete anos na altura dele, até ensinando letrinhas e com uma revelação, que podia ter ido para medicina. (o quem de certa forma, faz-me lamentar essa não opção; isso poderia significar que hoje não dirigia o Público, e lá jeitinho para ser condescendente tem, por isso, poderia ser perfeitamente médico (de família) a dar sermões aos seus pacientes).
JMF lamenta também, num tom intimista e tolinho, que o optimismo da sua geração começa a desvanecer-se, e armado em Manuel Castells, fala de "sms, MSN, Net, Web2, tribos informais e objectivos difusos" (...) e "a sociedade estruturada, hierarquizada" que conheceu "quando tinha 17 anos, e que ainda existia quando o PÚBLICO nasceu há 17 anos, é hoje uma sociedade em rede em que os laços se organizam de forma informal e escapam ao controlo tradicional das famílias (de sangue, sociais, políticas, mesmo geracionais), ao mesmo tempo que se procuram identidades".
Por fim, acaba com uma reflexão e perspectivas para o futuro, mais uma vez articulando a existência do Público com as vicissitudes da sua vida. Infelizmente as duas coisas são cada vez mais indissociáveis. JMF fala de "reinvenção" e da "grande volta" do Público. Já se percebeu que esta reinvenção foi colorir todas as páginas do Público, palete psicadélica e chata de ler, grafismo feio, caixas e manchetes confusas, o "Y" para "Ípsilon", a "Xis" transportada para as últimas páginas da "Pública", iludir que acabou com Laurindices e trazê-la para o jornal, e como se não bastasse para além de um Público chato, surgiu a versão miniatura chamada P2, para onde o "Bartoon" e o "Calvin" foram desterrados. O look renovado obscurece o conteúdo noticioso, que já teve melhores dias e começa quase a ter um tom de pasquim.

Percebido. A renovação do Público é "explica-me como se fosse muito burro" ou neste caso, "explica-me como se eu tivésse dezassete anos". Perdão 17. Porque já nem escrever "dezassete" se faz como ensinam as regras jornalísticas. (algo contraditório com a nova versão do "Ípsilon"). E não deixa de ser triste que na edição de aniversário o destaque seja para a Katty, também ela "renovada", mas ok, esta minha última opinião está contaminada por hábitos familiares.

1 comentário:

Anónimo disse...

Por acaso não li o Púbico de hoje mas concordo em absoluto com a tua opinião.
Assim não vale muito a pena, não...