sábado, fevereiro 28, 2009

O Bairro Alto

Foto daqui 
A propósito disto e isto
Foi no Kirk que o o Tricky me pediu um cigarro, foi no Kirk que tive uma cena de faca e alguidar e troquei dEUS por um herege. Mais do que o Kirk, eu gostava do Shangri-lá, templo da era anterior. Fomos muito felizes no Shangri-lá.

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Mas não partilho nada esta baboseira que o "Bairro não é o que era". O Bairro não é como era. Mas ainda é. E é onde me sinto em casa. Mesmo que já não exista o "Café com Livros", "A Flor da Branca", que seja incapaz de beber - e de estar - no Lisbonna, idem para o Arroz Doce, e tantos outros, e que o Divinus não seja o Divinus. Ou que as Catacumbas deixaram de ter a parte tasca. Quase todas as velhas e paredes do Bairro me traçaram o destino, é raro que cada história que tenha tido - e tenho - na vida não tenha passado pelo Bairro, em algum momento. Agora, é claro, que quanto mais os anos passam, menos gostamos de nos cruzar com adolescentes bêbados a vomitar nos nossos sapatos. Mas nós também andávamos por lá na mesma altura, a fazer as mesmas figuras. 
Respondendo ao Vitor Belanciano, intelectual do Bairro, o que mais gosto no Bairro Alto é precisamente a democratização de estilos e de pessoas que andam por ali. Tanto posso só beber café, cortar o cabelo, ir à mercearia, comprar uma saia, como jantar e beber copos até cair. E até posso conversar - coisas de chacha às intelectuais - durante o dia todo. E esbarrar com a velha guarda, com estrelas mais ou menos mediáticas, como os meus irmãos de todas as idades, até aos comuns dos mortais. Portanto, a conversinha "ai o Bairro não é o que era, não se conversa, não se come decentemente" só pode ser proferida por quem deixou de frequentar o Bairro e vai lá sempre com os olhos nostálgicos do passado imaginário. Irrita-me solenemente que quase vinte e cinco anos depois, sempre que se faz uma reportagem sobre o Bairro Alto, lá vão eles desenterrar os boémios dos anos 80/90. Como se tivessem a patente do saber sobre o que é o Bairro Alto. O Bairro muda, como todos os bairros mudam. Nomeadamente, numa cidade como Lisboa, onde parece não existir um plano coerente de reabilitação urbana. Mas a essência boémia ainda lá está. Agora se não é absolutistamente elitista e arty, well, ainda bem. Sinceramente, acho que nunca foi. Porque mesmo no tempo dos Frágil e do Kirk, também proliferavam bares e tascos estranhos, com cortinas vermelhas, a lembrar a "Noite Escura". O Bairro sempre foi assim. Sempre teve de tudo um pouco, e é essa a magia. Mas pelos vistos, é isso que incomoda à escola dos intelectuais do Bairro, é que não haja só arties nas ruas do Bairro. Ainda que esses espaços ainda existam e sabemos que são socialmente bem demarcados. 
E neste momento encerrava o assunto com um bife de pimenta verde, como as amiguinhas e duas garrafas de vinho, no saudoso, mas temperamental, senhor António.
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7 comentários:

Tânia Gaspar disse...

Vem, vamos ao Bairro que tenho saudades de ter em casa;P

Gostei muito do texto, arrepiaste-me e subscrevo!

Unknown disse...

belo belo...
cada uma tem o seu bairro essa é que é essa...
e ías ao estádio? belas noites por lá :))*

inesinho disse...

Ana, ainda vou ao Estádio! ;)

Unknown disse...

vemo-nos por lá em julho?
vou de férias a lisboa ;)

Patrícia disse...

:)
Apoiado!
Saudades,

Anónimo disse...

ganda tareia! E mai nada!

Anónimo disse...

Aleluia! Vou linkar isto aos 7 ventos